quinta-feira, 17 de junho de 2010

Diagnóstico


A evolução na distância

As disciplinas de 1/2 fundo foram desde sempre especiais, quer pela riqueza e complexidade dos meios de treino utilizados na sua preparação, quer pelas características excepcionais dos atletas.

O rendimento dos atletas qualquer que seja a sua disciplina, resulta sempre da interacção de vários factores, cada qual com a sua contribuição relativa. Apesar dos tempos das melhores perfomânces em 800 mts indicarem a excepcional importância da velocidade de base sobre distâncias mais (curtas), para se obter sucesso nesta disciplinas, continuo a constatar que a maioria desses atletas demonstram igualmente excelentes resultados na distância superior ou seja sobre 1500 mts ou até mesmo 5.000 / 10.000 mts.

(É exactamente esta questão que me leva a dar a minha opinião aqui neste blog em virtude de ter um atleta que fez a sua formação em 800 / 1500 mts e que se prepara agora para abordar distâncias mais longas, seguindo o exemplo de vários atletas que foram muito bem sucedidos e trás mais vantagens do que um percurso no sentido inverso, ou seja um estradista a fazer incursão em provas mais curtas).
Os 800 mts são uma disciplina que exige uma combinação de força, velocidade, resistência aeróbica / anaeróbica e táctica para que se consigam alcançar os resultados desejados.

O atleta para além de necessitar de uma forma física extraordinária, necessita de ter um sentido táctico muito desenvolvido. A forma como se correm actualmente estas distâncias em ambos os sexos com velocidades para a primeira volta a rondar os 49"4 - 52"7 nos homens e os 56"4 - 58"2 nas senhoras, faz com que se considere os 800 mts quase como uma prova de sprinte prolongado.

As exigências de corridas com ritmos tão elevados, fazem sobressair a ideia de que a velocidade predomina relativamente à resistência.
A exigência do controle do esforço (anaeróbico / aeróbico) no exito destas provas, impõe que o atleta domine a utilização de ambos os sistemas de energia.

Nesta distâncias (800/1500) é pois possível obterem o mesmo sucesso, atletas dotados de carecterísticas físicas muito diferentes e utilizando diversas metodologias de treino.

Se à algumas décadas atrás, para os atletas triunfarem era suficiente possuírem uma boa capacidade de resistência e baixos níveis de força e de velocidade base, a partir de determinada altura começaram a surgir na luta pelos primeiros lugares, atletas dotados com outro tipo de capacidades - mais rápidos e mais fortes. Os resultados obtidos por estes atletas, colocam ainda em evidência, o domínio cada vez maior de atletas oriundos de distâncias inferiores que após um período de especialização nos 800 ou 1500 mts e mantendo a participação em competições de 800/1500 conseguem obter excelentes resultados nas distâncias imediatamente superiores.

Actualmente, os melhores registos cronométricos e as vitórias nestas competições são evidentemente dos atletas mais completos, dotados de bons índices de força e de velocidade e simultâneamente preocupados em desenvolver a resistência de forma específica para a sua prova.

domingo, 30 de maio de 2010

A Psicologia

Psicologia no Desporto
Como treinador de atletismo o meu trabalho é procurar o processo
de treino óptimo.
O processo de treino óptimo visa desenvolver as capacidades
do desempenho dos atletas para alcançar um nivel mais elevado
possível e na altura da competição deixar essa capacidades
atingirem os 100% do seu potencial. Mas...
-Porque têm alguns atletas a capacidade de fazer tudo bem e
apresentar-se ao seu melhor nível, quando necessário, enquanto
outros ficam aquém?
- Porque é que alguns atletas têm pior desempenho em finais
de competições principais do que em sessões de qualificação
ou eventos de menor importância?
- Porque é que alguns atletas são tão bons nos treinos e depois
vão contra todas as expectativas nas competições?
Estas questões mostram que o desempenho desportivo não
é apenas influenciado pelas condições físicas. Há mais qualquer coisa...
FORÇA MENTAL;
Esta provado que há grandes diferenças na área da psicologia.
Vou dar um exemplo simples. Um treinador até pode ter um atleta
com uma condição física invejável mas se tiver uma condição
mental muito fraca, estamos perante um Ferrari a ser conduzido
por um taxista.
Tive uma vez um atleta que no final de grandes treinos, tinha
sempre muitas ambições mas chegada a hora das competições
psicologicamente estava de rastos o que condicionava e de que
maneira a sua prestação desportiva.
De volta aos treinos e no final lá vinha a mesma ambição de sempre.
Um dia disse-lhe: " o teu problema é que entre ti e o sonho estas tu".
Bem sei que os atletas não são apenas máquinas.
Os metodos de treino tradicionais parecem, assim insuficientes e
desajustados. Começamos a aprender que somos seres humanos
vivos, e que há poderes psicológicos em nós que influência os
nossos desempenhos. No mundo de hoje estamos a aprender a
compreender cada vez melhor que é a nossa mente que comanda
o nosso corpo.
E quando o nosso cérebro dá uma ordem a maior parte das vezes
o corpo executa só que as vezes a ordem não vem e isso é que faz
a diferença nos atletas.
Assim começamos por compreender que o corpo e a mente trabalham
juntos e são partes de um todo. É que o desempenho atlético é o
resultado de poderes e processos internos.
É no entanto impossível analisar o desempenho do um atleta e
concluir que a sua performance foi o resultado da sua boa condição
física e boa técnica. Este modo de interpretar os resultados da
performance de um atleta não permitem a compreensão do
desempenho como um todo e tornamo-nos cegos relativamente
à fusão e coordenação de todos os processos válidos.
O trabalho de um atleta é o conjunto de ambas as forças física e
mental e, de facto, por vezes até as influências sociais têm o seu
papel. Podemos comparar o todo com a roda da nora. Metade
está dentro de água e a outra metade está fora mas só assim
é possível funcionar como um todo.
A psicologia pode ser definida como um comportamento Externo
e Interno de um ser humano. Os comportamentos externos
consistem em acções que podemos observar. Os comportamentos
internos são mais difícies de controlar e não os podemos observar
ou medir.

domingo, 28 de março de 2010

Saúde e Higiene


Alerta Veteranos

Vem este artigo a propósito de uma pergunta do meu grande amigo
J. Adelino "onde é que treina a malta agora"
Eu continuo a ir lá sempre que não estou lesionado, mas mesmo
quando isso acontece, então passa da corrida para a caminhada,
parar nunca. Pois é lamento que muitos atletas só treinem se for
para competir esquecendo o mais importante. Eu sei que a verdade
não tem muitos amigos, mas prefiro ofender com a verdade do que
elogiar com a mentira.
A saúde é um dos mais antigos objectivos, tanto na educação física
moderna como das práticas remotas do exercício físico. Aristóteles
já recomendava o desporto como meio de formar o corpo, antes
mesmo da formação do espírito, e a medicina da antiguidade foi
pródiga em recomendações terapêuticas que prescreviam o exercício
como remédio indispensável.
O desporto tornava-se assim higiénico ou médico e ortopédico, respectivamente.
Por outro lado, à luz dos novos conhecimentos, provenientes da biologia
e da psicologia humana, a saúde já não é entendida como um simples
estado de ausência da doença. O seu conceito alargou-se para um estado
geral de bem estar e de plena disponibilidade das faculdades orgânicas
e mentais, pelo que a educação física, no espírito e na prática, teve de
conresponder a esta nova interpretação.
Não se trata de usar o exercício físico como remédio para repor o
equilíbrio perdido mas de incluí-lo num estilo de vida e numa prática
para sempre.
Atletas de competição ou simples manutenção, correndo a maratona,
campos desportivos para homens e mulheres da terceira idade, cidadãos
vulgares, regressados do trabalho, fazendo alguns quilómetros de endurânce
na via pública são o resultado, em muitos países de uma completa revisão
dos princípios da doutrina da prática desportiva.
Assim é minha intenção alertar os atletas do escalão de veteranos para
o facto de os atletas de competição em Portugal estarem em vias de extinção.
O que resta então nas diversas provas que se realizam por todo o país?
uma grande percentagem de atletas veteranos, será então que nesta idades
praticar desporto para conservar a saúde tanto física como mental, não
é já uma grande vitória?. Hoje queremos viver a velhice como uma terceira
idade válida e não como um fardo infligido aos outros. Há até quem defenda
que um fornecimento mais abundante de oxigénio aos tecidos evita o
aparecimento de células cancerosas. O medo do cancro é Universal;
mas há mais razões para temer as doenças do coração, e a obesidade.
Os homens já são 56,6 % pré - obesos e 11% obesos, nas mulheres 1/4
da população. Todos os factores de risco da nossa época são directa
ou indirectamente reduzidos pelo desporto as doenças modernas... não
podem ser controladas exclusivamente através de um diagnóstico
precoce e exigem empenho pessoal do doente para o tratamento a
longo prazo, não pode limitar-se aos medicamentos.
E uma grande vantagem da prática do atletismo (corrida) é que se pode
fazer até uma idade bastante avançada e em qualquer lado, desde que,
se faça com moderação e sempre com acompanhamento médico.
O desporto só pode ser um prazer para quem goza de boa saúde.
Perante isto faz-me uma certa confusão presenciar ainda (atletas)????
de idades, 60 - 65 - 70 - a querer um escalão para as respectivas idades!!!!
Porque pelos vistos para eles se não houver uma medalha, taça
ou 5,00 ou 10,00 € nada vale a pena.

Vale a pena pelo menos reflectir.













domingo, 21 de março de 2010

O regresso


Depois de alguns meses de afastamento, em que apostei
na minha valorização pessoal, eis que estou de volta
e logo num dia muito especial para a família do atletismo,
já que, hoje em Lisboa foi finalmente batido o recorde
mundial da Meia Maratona pelo atleta, eritreu Zerzenay
Tadese (58´23") menos 10" que o anterior recorde que
estava na posse do queniano Samuel Wanjiru desde 2007.
Como quem não aparece esquece, aqui estou eu outra vez
a chover no molhado.

O treino como um processo de aprendizagem motora

O corpo humano é um sistema cibernáutico (ciência que estuda os
mecanismos de comunicação e de controlo nas máquinas e nos seres vivos...)
altamente intrigante, e como tal pode ser comparado a um computador.
Para que o nosso organismo funcione, é necessária energia, e programas que o
activem e impeçam de operar na sua funcionalidade universal.
Enquanto que a actual geração de computadores (hardware) recebem
basicamente os seus programas de fontes externas (software)
o "computador" humano é bem mais inteligente na medida em que
se pode autoprogramar.
Os seres humanos criam o programa necessário, depois de um processo
de aprendizagem, de modo a levar a cabo uma tarefa ou várias.
A aprendizagem é em geral considerada uma adaptação de comportamento
uma mudança de circunstâncias, que resultam de um processo de informação
individual e específica.
O treino de uma aprendizagem motora é a adaptação de uma mudança de
circunstâncias, na actividade motora humana. É um processo basico de
formação de capacidades coordenativas e condicionais, baseadas no
processamento de informação, pelo sistema neuromuscular.
A carga de treino é reguladora dos estímulos externos aplicados, para
alterar uma situação interna do corpo, o termo (treino) deve ser utilizado.
O processo de treino é planeado em função das cargas.
No controlo de treino carga e exigência, são igualmente importantes.
Aos atletas e seus treinadores tendo em vista um desenvolvimento da
perfomance, devem aumentar a carga de forma progressiva. Se a sobregarga
não é progressiva, o atleta pode "estagnar", há muitas maneiras de
conseguir este objectivo.

1 - Aumentando o volume
2 - Aumentar a intensidade
3 - Especialização e qualidade
4 - Grande concentração
5 - Acelarar a recuperação

A estagnação é inimiga da evolução






quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

10º circuito do Centenário

HOMENAGEM AO ATLETA ARMANDO ALDEGALEGA

10-Janeiro-2010

A Cooperativa "A Sacavenense", instituição com estatuto de utilidade pública, fundada em 31 de Janeiro de 1900 por iniciativa de um grupo de trabalhadores, na sua maioria da Fábrica da loiça de Sacavém, tendo como objectivo a defesa e promoção dos princípios cooperativistas. Útimamente, vem a cooperativa desenvolvendo actividades nas áreas da cultura, recreio, desporto, tempos livres e formação profissional, em prol dos seus associados e da população em geral.

Encontrando-se presentemente a comemorar o seu 110º. Aniversário de cuja comemoração faz parte a realização de uma prova de atletismo, denominada "Circuito do Centenário" pois teve início aquando da comemoração do 100º. Aniversário. Esta prova que tem tido grande aceitação e atrai inúmeros participantes, teve no dia 10 de Janeiro a 10ª realização, na qual se aproveitou para homenagear o grande atleta Armando Aldegalega, atleta de reconhecidos méritos e um grande companheiro de todos os que com ele convivem.

Esta honra fez parte do 26º. Troféu "Corrida das Colectividades" do Concelho de Loures.

Na entrega dos prémios contamos com a presença do Vice-Presidente da C.M. de Loures, João Pedro Domingos e do vereador do Departamento do Desporto, Ricardo Leão, Presidente da Junta de Freguesia de Sacavém, José Leão e dos elementos dos Órgãos Sociais da Cooperativa.

Em relação á competição própriamente dita foi batido o recorde de presenças sendo de realçar que desta vez dos 905 inscritos no 26º Troféu " Corrida das Colectividades" do Concelho de Loures chegaram ao fim 445 atletas dos quais cerca de 200 eram jovens até ao escalão de juvenis. Numa altura em que até os apoios Públicos começam a faltar começa a ser cada vez mais difícil levar por diante estas iniciativas. Com todo o respeito que tenho pela apreciação do meu grande amigo Adelino no seu blog, e ela reflecte de certeza a opinião dos restantes participantes com os quais eu próprio também concordo, no entanto por ser verdade e apenas como informação para aquilo que o meu amigo diz não haver justificação devo chamar a atenção do seguinte: Em edições anteriores nunca esta prova teve a participação de mais de 290 atletas, com base nesse registo foram compradas 400 T.Shirts que seriam entregues da seguinte forma, as (S) para a prova de Benjamins as (M) para Infantis e Iniciados e depois de forma aleatória as restantes (L), (XL) e (XXL) que no caso eram apenas 10, desta vez tivemos e ainda bem 452 atletas situação que não passou despercebida a ninguém. Lamentavelmente nem para o pessoal que graciosamente trabalhou ou mesmo para elementos da direcção houve camisolas, uma vez que nesta prova nunca se tinham dado t.shirts a ideia era melhorar e ir ao encontro do desejo dos atletas. A falta de água, foram colocadas paletes suficientes á porta do edifício embora eu tivesse pedido para ser todas transportadas par o local da chegada, ouve de facto um certo facilitismo da parte de quem estava designado par o efeito e sou eu ainda quando chego no jipe que alertado para tal situação, vou a correr mais um atleta buscar mais águas mas o erro já estava feito.

Em relação á senhora direi apenas que fui atraiçoado para não melindrar ninguém.
Quando um membro de uma direcção apresenta um projecto em reunião de direcção e ninguém está muito interessado, nem em aceitar muito menos em colaborar e consegue por de pé um evento destes apenas com a colaboração de alguns amigos será sempre uma vitória.
Mas para para o ano se calhar corre tudo bem, basta que para isso esta prova não se realize.
P.S. tenho os resultados em PDF mas não sei coloca-los e mais algumas fotografias se alguém estiver interessado em explicar agradeço. Obrigado





























quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Integrada nas comemorações do 110º aniversário
e no 26º TROFÉU "Corrida das Colectividades do Concelho de Loures"

Vai a Cooperativa "A Sacavenense" levar a efeito o seu 10º circuito do Centenário, prova com grandes tradições e que espera contar com a presença de todos os atletas visitantes deste blog.
Esta prova é a primeira de um conjunto de provas a realizar neste concelho, que como é normal terá pontuação em cada prova de acordo com o regulamento geral. Para mais informações, contacto: 967490510 ou fgravito@gmail.com

Quando queremos, tudo é possível

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Hoje Sonhei

Hoje Sonhei
Aí estão as férias, mas infelizmente para muitos animais é a altura em que são abandonados.
Hoje vizinho quando fazia o meu treino encontrei o seu cão, e sabe, ele não foi adoptado ainda por ninguém, no local onde passei, a vizinhança na maioria já tem cães, e aqueles que não têm nenhum não querem animais.
Eu sei que o vizinho esperava que ele encontrasse um bom lugar quando o deixou, mas infelizmente ele não encontrou.
Quando o vi pele primeira vez, ele estava bem longe de casa numa zona descampada, sozinho, com sede, muito magro resultado da fome que tem passado, também coxeava um pouco, vítima de atropelamento recente.
Ao vê-lo assim, interrompi o treino, parei na sua frente, e naquele momento, desejei tanto ser o vizinho, para ver a sua cauda abanar de contente, e os seus olhos brilhar, ao pular para si, pois ele sentia que o vizinho o encontraria, sabia também que não se esqueceria dele, para ver a desculpa nos seus gestos, pelo sofrimento, e pela dor por que ele passou, na caminhada sem fim á sua procura.
Mas eu, não era o vizinho, e apesar das minhas tentativas de o convencer a aproximar-se de mim, o seu olhar via um estranho, não confiava em mim, o seu olhar provocou-me aquela dor que não dói, e não se aproximou, virou o rabo e seguiu o seu caminho pois tinha a certeza que se continuasse o iria encontrar.
Ele não percebe que o vizinho já não o quer, já não gosta mais dele porque cresceu demais, ele apenas sabe que você não está ali e por isso só pensa em encontrá-lo, o que, para ele, é mais importante do que a falta de comida, bebida, ou de um estranho que lhe possa dar tudo isso.
Percebi que seria inútil tentar trazê-lo ou segui-lo, eu nem sei o seu nome.
Fui para casa enchi uma garrafa de água e uma tupperware com comida e voltei ao lugar onde o havia deixado.
Não havia sinal dele, no entanto, deixei ficar tudo debaixo de uns arbustos onde ele estava abrigado do frio e da chuva e a recuperar da fadiga.
Agora veja bem, ele não é um cão selvagem, ao domestica-lo o vizinho tirou dele todo o instinto e capacidade de sobre-vivência nas ruas, ele só sabe, que precisa caminhar o dia todo, não sabe que o frio e a chuva podem custar-lhe a vida, só sabe que precisa encontrá-lo.
Fiquei á espera, na esperança que voltasse novamente á procura de abrigo no mesmo local, na expectativa de que a água e a comida que eu trouxe fize-se com que confiasse em mim, e assim, pudesse leva-lo para casa, cuidar da pata, e dar-lhe um local quente para se deitar, e ajuda-lo a perceber que agora você, já não faria mais parte da sua vida, isto é, teria que esquece-lo.
Mas ele não voltou e quando anoiteceu, a água e a comida, permaneciam no mesmo local, fiquei preocupado.
O vizinho deve saber que poucas pessoas tentariam ajudar o seu cão, alguns, até o correriam á pedrada, outros, ainda chamariam a carroça dos cães que lhe daria o destino do qual o senhor com a sua atitude pensou que estaria a salvar. Depois de vários dias cujo destino do treino foi voltar ao mesmo sitio sempre sem êxito, voltei já noite dentro e mais uma vez não o encontrei. Na manhã seguinte ainda lá fui, e vi que a água e a comida ainda resistiam! Pensei se o senhor estivesse aqui para chamar o seu nome, a sua voz é-lhe tão familiar, comecei a andar na direcção que ele tomou da última vez que o vi, sem muita esperança de o encontrar, ele estava tão desesperado para o encontrar que seria capaz de caminhar infinitamente.
Algumas horas mais tarde, a uma boa distância do local onde eu o havia visto pela primeira vez, finalmente encontrei-o.
A sede já não o incomodava, a sua fome havia desaparecido, e até as dores tinham passado, agora finalmente estava livre de todo o sofrimento.
O seu cão! meu amigo: Morreu!
Ajoelhei-me ao lado dele, como se fosse meu, e roguei-lhe a si todas as pragas que conhecia, por não estar ontem aqui, para que eu pudesse ver o brilho ainda que por breves momentos naqueles olhos vazios. Implorei pedindo que a sua caminhada o tenha levado àquele lugar que acho que você esperava que ele encontrasse, se o vizinho soubesse por quanta coisa ele passou para chegar lá, custou-me muito, pois sei que se ele acorda-se agora, e se eu fosse o senhor, os seus olhos brilhariam ao reconhecê-lo daria saltos de contente, lambedo-lhe a cara, abanaria a sua cauda, perdoando-o por todo o sofrimento que lhe causou ao abandona-lo.
Francisco...Francisco... acorda, são horas de ires trabalhar. O cão, o cão, o cão, qual cão? Estas a sonhar ou que? Uuufffff... estava cá a ter um sonho, ainda bem que acordei.